Reabilitação Vestibular

Tontura

Tontura é a sensação que existe um movimento sem que haja um movimento real.

Pode ser uma sensação de instabilidade, desequilíbrio, sensação de queda, desvio da marcha ou uma flutuação. Quando a tontura possui características rotatórias denomina-se VERTIGEM.

Com freqüência, o termo “labirintite” (que significa “inflamação do labirinto”) é popularmente utilizado como sinônimo de qualquer sintoma relacionado a doenças que afetam o nosso equilíbrio ou audição como: mal estar, tontura, vertigem, desequilíbrio, flutuação ou zumbido. O termo adequado seria “labirintopatia” que quer dizer “doença do labirinto”. Existem diversas causas para a labirintopatia e a labirintite pode ser uma dentre muitas.

Dentre as diversas causas para tontura, podem ser citadas:

  • doenças que afetam o organismo como um todo (p.ex.: diabetes, pressão alta, problemas da tireóide, aterosclerose, reumatismos, etc.);
  • doenças do ouvido (p.ex.: doença de Ménière; neurite vestibular)
  • doenças neurológicas;
  • problemas visuais;
  • alguns tipos de medicação que interferem no funcionamento do ouvido (p.ex.: alguns antibióticos, diuréticos, antiinflamatórios, quimioterápicos, etc.);
  • exposição a algumas substâncias químicas;
  • infecções;
  • traumatismos cranianos;
  • abuso de cafeína, tabaco, álcool e outros;
  • problemas de coluna cervical;
  • alterações hormonais (TPM, menopausa, andropausa);
  • carência de algumas vitaminas e minerais;
  • problemas psicológicos, estresse, etc.


Vertigem Posicional Paroxista Benigna (VPPB)

É uma das causas mais comuns de vertigem, principalmente na população idosa, mas pode ocorrer na infância e na fase adulta. São crises vertiginosas intensas, durando, em geral,poucos segundos, relacionadas com certos movimentos da cabeça, tais como olhar para cima ou virar-se rapidamente.

O diagnóstico é feito por meio de testes de posicionamento.

O tratamento – Reabilitação Vestibular – é realizado através de manobras para reposicionar as otocônias, que foram deslocadas para um dos canais semicirculares do labirinto.

Uma pequena parcela dos pacientes pode apresentar resolução espontânea do quadro em dias ou semanas. No entanto, temos observado quadros clínicos que não se comportam dessa forma e o tratamento de primeira escolha para esses casos é feito por meio de manobras que visam ao reposicionamento dos cristais de cálcio, os quais se encontram deslocados.

Vale lembrar que o tratamento adequado só pode ser feito após uma avaliação detalhada com a detecção precisa do canal semicircular envolvido, bem como do lado acometido (labirinto direito, esquerdo ou ambos).

Dentre as opções terapêuticas descritas na literatura temos Manobras de liberação, reposicionamento e exercícios de habituação.

Aproximadamente 90% dos pacientes submetidos a essa abordagem terapêutica de forma criteriosa e correta obtêm resolução completa dos sintomas.

O tratamento das doenças do labirinto consiste em:

  1. tratamento das causas (p.ex.: controle de diabetes, dos hormônios tireoideanos, da depressão, etc.);
  2. tratamento sintomático (eliminação da sensação de vertigem; redução de sintomas associados como as náuseas e vômitos);
  3. reabilitação vestibular através de técnicas personalizadas;
  4. recomendações nutricionais e de modificação de hábitos (para erradicar erros alimentares e/ou determinados vícios que frequentemente causam ou agravam as tonturas).


Dicas para evitar tonturas

Além de seguir as recomendações de seu médico, tentar manter uma “vida saudável” é igualmente interessante para um “ouvido saudável” e assim, para o controle e prevenção da tontura. Portanto, procure:

  1. Evitar maus hábitos como cigarro, álcool e excesso de cafeína. Algumas substâncias podem influenciar o bom funcionamento do ouvido;
  2. Não utilizar medicações que contribuam no aparecimento da tontura. Informe-se com o seu médico;
  3. Exercitar-se regularmente. A atividade física diminui o risco de doenças cardíacas e diabetes, estabelecendo melhor controle do colesterol, triglicérides e a taxa de açúcar no sangue, além de produzir a sensação de satisfação e melhora da auto-estima.  Promove ainda o fortalecimento da musculatura e melhor desempenho do sistema do equilíbrio, reduzindo o risco de queda;
  4. Fracionar a dieta, alimentando-se a cada 3 horas. O jejum prolongado ou a alimentação inadequada podem provocar situações de excesso de insulina, ocasionando tontura e zumbido;
  5. Evitar excessos de sal e açúcar;
  6. Tomar muito líquido. Uma boa hidratação leva a um melhor funcionamento dos rins, filtrando e eliminando melhor as toxinas do organismo;
  7. Relaxar, na medida do possível. Reserve alguns minutos do seu dia para uma pausa. A tensão pode piorar a tontura do mesmo modo que causa cefaléia, dor no pescoço, aumento da pressão arterial, etc.;
  8. Visitar seu médico regularmente para exames preventivos.


A reabilitação vestibular baseia-se em exercícios fisicos especificos e repetitivos, que visam a ativar os mecanismos de plasticidade neural do SNC, buscando a compensação vestibular, para que o individuo realize o mais perfeito possível as atividades do dia-a-dia que estava acostumado a fazer antes da tontura.

Possuímos dois labirintos que enviam informações sobre os movimentos e posições da cabeça; ocorrendo alguma alteração no labirinto e/ ou nervo vestibular  ou secundariamente a outros problemas, um deles ou os dois deixam de enviar as mesmas informações.

Ocorre, assim, um desequilíbrio de atividades e esse sistema vestibular precisa ser compensado a fim de restaurar a simetria de informações ou o retorno da função do equilíbrio através de outras entradas sensoriais.

A Reabilitação vestibular apresenta grande aceitação na literatura internacional, pois seus resultados favoráveis tem sido evidenciados em inúmeras pesquisas dentro e fora do Brasil.


Fernanda Amaral
é fonoaudióloga (CRFa2418-MG), com graduação pela FACULDADE METODISTA IZABELA HENDRIX – BELO HORIZONTE e pós graduação em  Audiologia Clinica pelo CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA.

Tem se dedicado desde a graduação  ao estudo dos distúrbios da audição e do equilíbrio sendo esta a sua principal área de atuação.

Com a comprovação cientifica da eficácia dos exercícios fonoaudiológicos  iniciou o trabalho de avaliação e tratamento miofuncional nos distúrbios do sono (ronco e apneia).

Atualmente trabalha realizando exames auditivos, avaliação dos distúrbios do equilíbrio e avaliação e reabilitação miofuncional nos distúrbios do sono (ronco e apneia).

Participa constantemente de cursos e congressos, concentrando suas atualizações e estudos nas áreas de audiologia, otoneurologia (ciência que estuda a audição e equilíbrio) e nos distúrbios do sono.